sábado, 2 de maio de 2009

Uma trança de afectos

Objectos de colecção, presos em vitrinas,
Olham-me do passado sem me reconhecerem.

Contigo…
Caem todas as defesas aperfeiçoadas
No meu percurso desalinhado, pulverizadas.
Os meus óculos já não filtram as radiações dos teus olhos,
Os olhos que me inspiram.
Perdi a máscara que ocultava a fragilidade de te ver…
Ver-te é poder.
Perdi a armadura que protegia a minha pele da tua pele,
A pele que fica em mim.
Fraquejo junto a ti.

Teço uma trança de afectos
No teu cabelo que, enrolado nos meus dedos,
Adormece…
Preso ao desenrolar dos teus sonhos
Fico a ver-te dormir até eu próprio sonhar
Com um rio que nos olha e segue tranquilo,
Com golfinhos que nos dizem bom dia,
Com veleiros que trazem vento,
Com vento que te solta a trança.
Aperto-te em mim,
Manipulado pelo meu coração
Que quer tocar o teu.
Entre duas lágrimas que correm para dentro
Fica a promessa do teu cabelo aos meus dedos:
Sempre haverá mais uma trança.
Acordas...
A luminosa paz nos teus olhos,
Os olhos que me inspiram,
Preenche todo o meu delírio.
Acordo...

Caminho sem olhar para trás.
Tu nunca estás atrás.