Piso as mesmas pedras de mais uma manhã,
Linhas de um círculo tracejado por sonâmbulos
Que pararam de sonhar.
Mas nada está igual.
O cinzento do caminho, do céu, dos rostos
Não apaga a cor das minhas linhas,
Não ensombra a clareza deste trajecto.
O vazio dos olhares entorpecidos
Não contagia a plenitude da minha consciência,
Não anestesia a certeza dos meus sentidos.
Parecia tudo tão igual. Amanhã como hoje, como ontem.
Mas nada, agora, está igual.
Não é porque estás em mim.
Sempre estivestes.
É porque eu não estou em mim.
Estou em superlativo,
Absoluta e sintéticamente
Elevado ao teu expoente.