quinta-feira, 7 de maio de 2009

Estações I

Gosto de confundir as nossas línguas.
Com a fusão das nossas bocas
Perdoámo-nos pela demora deste reencontro.
Gosto da fusão das nossas frases,
De misturá-las com texto,
Alisando as ondas do teu cabelo,
Enrolando as emoções de cada um em novelo.
Mais tarde teceremos as tapeçarias da nossa história.
Gosto do complemento directo do nosso pensamento,
Mesmo quando é circunstancial.
De lugar em lugar, chegar a um ponto não final.
Parágrafo.
Mudar de linha.
Todas as linhas levam a uma estação.
As nossas estações são paragens do tempo.
Gosto quando estacionamos os nossos corpos,
Quando damos corpo às vozes sussurradas,
Desejos contidos à revelia do corpo,
Revelados por sinais que o corpo lê.
Gosto de aprender contigo.
Lições sem mestre nem aluno,
Sem horário nem faltas... e quando me faltas,
Agarro-me ainda mais a ti,
Agarro-me ainda mais a nós.
Um do outro, apertados… nós.