Primeira música…“Creeping death”.
Pode ser um início brutal.
Mas um início não tem que ser um nascimento,
Pode ser um cruzamento.
Cruzamo-nos numa convergência de caminhos.
Descartamos as banalidades com metáforas.
Redesenhamos a sequência.
Transformamos a divergência em linhas paralelas
Que por vezes conduzimos a tangentes.
Tangentes de infinitos.
Esta tangente trouxe-nos ao peito
Três corações em vibração.
O meu, o teu… o daquela multidão.
Saltamos até sairmos do corpo.
Gritámos!
Regurgitação contínua de diferenças e indiferenças.
Até que…
“Nothing else matters”,
Só aquele momento.
Respirar pelos ouvidos.
Ouvir sem respirar.
Indescritível,
Pela falta de adjectivos.
Único,
Por te ter no meu olhar.
“…and nothing else matters”
Concerto dos Metallica, Super-Bock Super-Rock 2007
sábado, 16 de maio de 2009
sexta-feira, 15 de maio de 2009
Libertações
Chamar à saudade “minha prisão”
E à tua ausência “meu castigo”.
Chamar-te em cada pulsação,
Evadir-me sonhando contigo.
Podia pôr no teu lugar eufemismos,
Metáforas analgésicas e chavões.
Podia deixar que a tirania dos aforismos
Me ajustasse aos seus ocos padrões.
Mas prefiro chamar a um feitiço amor.
Voar, errante, por entre linhas, ao sabor
das cíclicas influências da Lua.
Criar, do nada, beleza.
Resgatar poder da fraqueza
E a minha magia ser a tua.
E à tua ausência “meu castigo”.
Chamar-te em cada pulsação,
Evadir-me sonhando contigo.
Podia pôr no teu lugar eufemismos,
Metáforas analgésicas e chavões.
Podia deixar que a tirania dos aforismos
Me ajustasse aos seus ocos padrões.
Mas prefiro chamar a um feitiço amor.
Voar, errante, por entre linhas, ao sabor
das cíclicas influências da Lua.
Criar, do nada, beleza.
Resgatar poder da fraqueza
E a minha magia ser a tua.
quinta-feira, 14 de maio de 2009
Mecanismos de “coping"
Desejar-te... pensar em ti sem pensar em nós.
Beijar-te... nem num sonho me atrevo.
Sentir-te... quando me toca a tua voz.
Tocar-te... numa linha que escrevo.
Nasci, vivi, morri.
Segundos mágicos em que tudo conheci.
Uma intensa existência paralela, uma paixão…
Um instante… enquanto trincavas uma rodela de limão.
Trauma: a impossibilidade completa.
“Coping”: tu és musa, eu sou poeta.
Beijar-te... nem num sonho me atrevo.
Sentir-te... quando me toca a tua voz.
Tocar-te... numa linha que escrevo.
Nasci, vivi, morri.
Segundos mágicos em que tudo conheci.
Uma intensa existência paralela, uma paixão…
Um instante… enquanto trincavas uma rodela de limão.
Trauma: a impossibilidade completa.
“Coping”: tu és musa, eu sou poeta.
quarta-feira, 13 de maio de 2009
Revelações
Avançar. Confrontar o vazio.
Inspirar fundo esta distância.
Disfarçar cada arrepio.
Saudar o medo com arrogância.
Distanciar-me, aos poucos, da tua respiração,
A minha inspiração.
Perder a orientação.
Deixar a tua mão.
Largares a minha mão.
Desviares-me, gentilmente, para outra direcção.
Capto os sinais exteriores
Sem interiorização.
Revelas-te em imagens, sem te expores,
Sinalizas caminhos proibidos…
Mas ignoro cada mensagem concreta.
Rejeito os meus sentidos.
Renego a hiperestesia indirecta.
Adio para amanhã o agora.
Sentir pode ser de dentro para fora.
Emoções podem gerar-se do nada
Como energia renovável… renovada.
Inspirar fundo esta distância.
Disfarçar cada arrepio.
Saudar o medo com arrogância.
Distanciar-me, aos poucos, da tua respiração,
A minha inspiração.
Perder a orientação.
Deixar a tua mão.
Largares a minha mão.
Desviares-me, gentilmente, para outra direcção.
Capto os sinais exteriores
Sem interiorização.
Revelas-te em imagens, sem te expores,
Sinalizas caminhos proibidos…
Mas ignoro cada mensagem concreta.
Rejeito os meus sentidos.
Renego a hiperestesia indirecta.
Adio para amanhã o agora.
Sentir pode ser de dentro para fora.
Emoções podem gerar-se do nada
Como energia renovável… renovada.
segunda-feira, 11 de maio de 2009
Exilado de mim
Na margem deste rio,
À margem deste lugar,
Projecto imagens num ecrã de água...
Imagens levadas pela corrente.
Desenho palavras no pensamento...
Palavras que não chegam a nascer.
Nunca estive tão só.
Solidão feita de silêncio.
Falo mas não de ti.
Falo contigo,
Mas fica tudo por dizer.
Estás sempre comigo
Mas estou só,
Exilado de mim.
À margem deste lugar,
Projecto imagens num ecrã de água...
Imagens levadas pela corrente.
Desenho palavras no pensamento...
Palavras que não chegam a nascer.
Nunca estive tão só.
Solidão feita de silêncio.
Falo mas não de ti.
Falo contigo,
Mas fica tudo por dizer.
Estás sempre comigo
Mas estou só,
Exilado de mim.
domingo, 10 de maio de 2009
Amo-te… só.
Amo-te só.Despida, estendida, molhada,
Imersa em espuma e sais... não me sais do pensamento.
Amo-te sóbrio, sombrio estado entre a solidez e a solidão.
Amo-te ébrio. Com o brio do ser. Sem o brilho do poder.
Amo-te só... mente, finge, ilude-me se necessário...
Só não me digas que não me amas.
Quero-te só... para mim.
Amo-te só... por dizer que te amo foge-me o chão,
Tremem-me os joelhos, estremecem as fundações
Que sustentam a construção da minha essência,
Dos meus princípios e por fim, no meio de uma vertigem, tombo.
Quedo-me só, caído, lembrando passagens secretas
De literatura e procurando forma de descrever,
Demonstrar, quantificar o amor.
Amo-te… só... tanto.
Imersa em espuma e sais... não me sais do pensamento.
Amo-te sóbrio, sombrio estado entre a solidez e a solidão.
Amo-te ébrio. Com o brio do ser. Sem o brilho do poder.
Amo-te só... mente, finge, ilude-me se necessário...
Só não me digas que não me amas.
Quero-te só... para mim.
Amo-te só... por dizer que te amo foge-me o chão,
Tremem-me os joelhos, estremecem as fundações
Que sustentam a construção da minha essência,
Dos meus princípios e por fim, no meio de uma vertigem, tombo.
Quedo-me só, caído, lembrando passagens secretas
De literatura e procurando forma de descrever,
Demonstrar, quantificar o amor.
Amo-te… só... tanto.
sábado, 9 de maio de 2009
Elevado ao teu expoente
Piso as mesmas pedras de mais uma manhã,
Linhas de um círculo tracejado por sonâmbulos
Que pararam de sonhar.
Mas nada está igual.
O cinzento do caminho, do céu, dos rostos
Não apaga a cor das minhas linhas,
Não ensombra a clareza deste trajecto.
O vazio dos olhares entorpecidos
Não contagia a plenitude da minha consciência,
Não anestesia a certeza dos meus sentidos.
Parecia tudo tão igual. Amanhã como hoje, como ontem.
Mas nada, agora, está igual.
Não é porque estás em mim.
Sempre estivestes.
É porque eu não estou em mim.
Estou em superlativo,
Absoluta e sintéticamente
Elevado ao teu expoente.
Linhas de um círculo tracejado por sonâmbulos
Que pararam de sonhar.
Mas nada está igual.
O cinzento do caminho, do céu, dos rostos
Não apaga a cor das minhas linhas,
Não ensombra a clareza deste trajecto.
O vazio dos olhares entorpecidos
Não contagia a plenitude da minha consciência,
Não anestesia a certeza dos meus sentidos.
Parecia tudo tão igual. Amanhã como hoje, como ontem.
Mas nada, agora, está igual.
Não é porque estás em mim.
Sempre estivestes.
É porque eu não estou em mim.
Estou em superlativo,
Absoluta e sintéticamente
Elevado ao teu expoente.
quinta-feira, 7 de maio de 2009
Estações I
Gosto de confundir as nossas línguas.
Com a fusão das nossas bocas
Perdoámo-nos pela demora deste reencontro.
Gosto da fusão das nossas frases,
De misturá-las com texto,
Alisando as ondas do teu cabelo,
Enrolando as emoções de cada um em novelo.
Mais tarde teceremos as tapeçarias da nossa história.
Gosto do complemento directo do nosso pensamento,
Mesmo quando é circunstancial.
De lugar em lugar, chegar a um ponto não final.
Parágrafo.
Mudar de linha.
Todas as linhas levam a uma estação.
As nossas estações são paragens do tempo.
Gosto quando estacionamos os nossos corpos,
Quando damos corpo às vozes sussurradas,
Desejos contidos à revelia do corpo,
Revelados por sinais que o corpo lê.
Gosto de aprender contigo.
Lições sem mestre nem aluno,
Sem horário nem faltas... e quando me faltas,
Agarro-me ainda mais a ti,
Agarro-me ainda mais a nós.
Um do outro, apertados… nós.
Com a fusão das nossas bocas
Perdoámo-nos pela demora deste reencontro.
Gosto da fusão das nossas frases,
De misturá-las com texto,
Alisando as ondas do teu cabelo,
Enrolando as emoções de cada um em novelo.
Mais tarde teceremos as tapeçarias da nossa história.
Gosto do complemento directo do nosso pensamento,
Mesmo quando é circunstancial.
De lugar em lugar, chegar a um ponto não final.
Parágrafo.
Mudar de linha.
Todas as linhas levam a uma estação.
As nossas estações são paragens do tempo.
Gosto quando estacionamos os nossos corpos,
Quando damos corpo às vozes sussurradas,
Desejos contidos à revelia do corpo,
Revelados por sinais que o corpo lê.
Gosto de aprender contigo.
Lições sem mestre nem aluno,
Sem horário nem faltas... e quando me faltas,
Agarro-me ainda mais a ti,
Agarro-me ainda mais a nós.
Um do outro, apertados… nós.
quarta-feira, 6 de maio de 2009
Estações II
Mesmo que perdesses esse comboio
Não me perderias.
Fico perdido sem ti...
Mesmo que não entrasses nesse comboio,
A linha continuaria a unir as estações
Como, na minha mão, a linha da vida,
Que só termina na tua mão,
Une as nossas partidas e chegadas.
Mesmo que o comboio partisse sem ti
Ficaria à tua espera composição após composição.
Compunha um poema
Com os versos das nossas páginas...
Ou uma tela
Com as cores dos nossos lugares...
E aguardaria que chegasses
À velocidade das minhas pulsações.
Nesta plataforma de comboios
Aguardo o meu próprio coração.
Não me perderias.
Fico perdido sem ti...
Mesmo que não entrasses nesse comboio,
A linha continuaria a unir as estações
Como, na minha mão, a linha da vida,
Que só termina na tua mão,
Une as nossas partidas e chegadas.
Mesmo que o comboio partisse sem ti
Ficaria à tua espera composição após composição.
Compunha um poema
Com os versos das nossas páginas...
Ou uma tela
Com as cores dos nossos lugares...
E aguardaria que chegasses
À velocidade das minhas pulsações.
Nesta plataforma de comboios
Aguardo o meu próprio coração.
terça-feira, 5 de maio de 2009
Estações III
De estação em estação,
Sob o aperto de uma multidão de saudade,
Sobre os carris da vontade de sermos um,
Reduzimos a distância crescendo.
De estação em estação,
Avançando contra a corrente da paisagem
Que se move como um rio.
Não é possível entender todos os detalhes.
Aprendo a fixar-me no fundamental.
De estação em estação
Descubro, sem surpresa,
Que a minha estação és tu.
Sob o aperto de uma multidão de saudade,
Sobre os carris da vontade de sermos um,
Reduzimos a distância crescendo.
De estação em estação,
Avançando contra a corrente da paisagem
Que se move como um rio.
Não é possível entender todos os detalhes.
Aprendo a fixar-me no fundamental.
De estação em estação
Descubro, sem surpresa,
Que a minha estação és tu.
segunda-feira, 4 de maio de 2009
Estações IV
Não me chega um dia para abraçar-te
Mas um dia é tempo, embora escasso.
Tempo de chegar em cada passo,
O prémio da audácia de quem parte.
Não contei as estações que percorri,
Nem os rostos, até te ver na multidão.
Sentiste o que senti ao tocares a minha mão?
Viste-me e nos teus olhos renasci.
Com a tua boca ensinaste-me a falar.
Com os teus dedos aprendi a escrever
O que a voz era incapaz de murmurar.
Com a chávena de emoções a transbordar,
Inalando um vapor feito de saber,
Bebo o teu nome numa infusão do verbo Amar.
Mas um dia é tempo, embora escasso.
Tempo de chegar em cada passo,
O prémio da audácia de quem parte.
Não contei as estações que percorri,
Nem os rostos, até te ver na multidão.
Sentiste o que senti ao tocares a minha mão?
Viste-me e nos teus olhos renasci.
Com a tua boca ensinaste-me a falar.
Com os teus dedos aprendi a escrever
O que a voz era incapaz de murmurar.
Com a chávena de emoções a transbordar,
Inalando um vapor feito de saber,
Bebo o teu nome numa infusão do verbo Amar.
domingo, 3 de maio de 2009
Sangria
Hoje é noite de Lua Cheia de sabores.
Regressam ao meu paladar memórias vivas,
Ácidas e doces, progressivamente.
Hoje é noite de Lua Cheia de emoções.
Volto a provar essa bebida
Repleta de coágulos de gelo
E fruta diluída em sangue e açúcar.
Pedaços que se soltam de mim
Apenas para se precipitarem,
Lentamente, vinho abaixo.
É noite de Lua Cheia de surpresas.
Este vaso, sanguíneo, transbordante, prende-me
Ao vermelho turvo de um líquido venoso
Num hipnótico desfile de sentidos
Que se perdem numa tontura,
Num remoinho que, sem aviso, nos mistura.
Somos doces partículas em suspensão
No mesmo sangue, no mesmo corpo, no mesmo vaso,
Que ao vazar nos separa em vermelho vivo,
Copo a copo, corpo a corpo.
Somos sangue arterial.
Desfilamos por ruelas e artérias
Da cidade, do corpo, do pensamento, mas...
Já só pensamos no regresso ao coração.
Regressam ao meu paladar memórias vivas,
Ácidas e doces, progressivamente.
Hoje é noite de Lua Cheia de emoções.
Volto a provar essa bebida
Repleta de coágulos de gelo
E fruta diluída em sangue e açúcar.
Pedaços que se soltam de mim
Apenas para se precipitarem,
Lentamente, vinho abaixo.
É noite de Lua Cheia de surpresas.
Este vaso, sanguíneo, transbordante, prende-me
Ao vermelho turvo de um líquido venoso
Num hipnótico desfile de sentidos
Que se perdem numa tontura,
Num remoinho que, sem aviso, nos mistura.
Somos doces partículas em suspensão
No mesmo sangue, no mesmo corpo, no mesmo vaso,
Que ao vazar nos separa em vermelho vivo,
Copo a copo, corpo a corpo.
Somos sangue arterial.
Desfilamos por ruelas e artérias
Da cidade, do corpo, do pensamento, mas...
Já só pensamos no regresso ao coração.
sábado, 2 de maio de 2009
Uma trança de afectos
Objectos de colecção, presos em vitrinas,
Olham-me do passado sem me reconhecerem.
Contigo…
Caem todas as defesas aperfeiçoadas
No meu percurso desalinhado, pulverizadas.
Os meus óculos já não filtram as radiações dos teus olhos,
Os olhos que me inspiram.
Perdi a máscara que ocultava a fragilidade de te ver…
Ver-te é poder.
Perdi a armadura que protegia a minha pele da tua pele,
A pele que fica em mim.
Fraquejo junto a ti.
Teço uma trança de afectos
No teu cabelo que, enrolado nos meus dedos,
Adormece…
Preso ao desenrolar dos teus sonhos
Fico a ver-te dormir até eu próprio sonhar
Com um rio que nos olha e segue tranquilo,
Com golfinhos que nos dizem bom dia,
Com veleiros que trazem vento,
Com vento que te solta a trança.
Aperto-te em mim,
Manipulado pelo meu coração
Que quer tocar o teu.
Entre duas lágrimas que correm para dentro
Fica a promessa do teu cabelo aos meus dedos:
Sempre haverá mais uma trança.
Acordas...
A luminosa paz nos teus olhos,
Os olhos que me inspiram,
Preenche todo o meu delírio.
Acordo...
Caminho sem olhar para trás.
Tu nunca estás atrás.
Olham-me do passado sem me reconhecerem.
Contigo…
Caem todas as defesas aperfeiçoadas
No meu percurso desalinhado, pulverizadas.
Os meus óculos já não filtram as radiações dos teus olhos,
Os olhos que me inspiram.
Perdi a máscara que ocultava a fragilidade de te ver…
Ver-te é poder.
Perdi a armadura que protegia a minha pele da tua pele,
A pele que fica em mim.
Fraquejo junto a ti.
Teço uma trança de afectos
No teu cabelo que, enrolado nos meus dedos,
Adormece…
Preso ao desenrolar dos teus sonhos
Fico a ver-te dormir até eu próprio sonhar
Com um rio que nos olha e segue tranquilo,
Com golfinhos que nos dizem bom dia,
Com veleiros que trazem vento,
Com vento que te solta a trança.
Aperto-te em mim,
Manipulado pelo meu coração
Que quer tocar o teu.
Entre duas lágrimas que correm para dentro
Fica a promessa do teu cabelo aos meus dedos:
Sempre haverá mais uma trança.
Acordas...
A luminosa paz nos teus olhos,
Os olhos que me inspiram,
Preenche todo o meu delírio.
Acordo...
Caminho sem olhar para trás.
Tu nunca estás atrás.
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