domingo, 3 de maio de 2009

Sangria

Hoje é noite de Lua Cheia de sabores.
Regressam ao meu paladar memórias vivas,
Ácidas e doces, progressivamente.
Hoje é noite de Lua Cheia de emoções.
Volto a provar essa bebida
Repleta de coágulos de gelo
E fruta diluída em sangue e açúcar.
Pedaços que se soltam de mim
Apenas para se precipitarem,
Lentamente, vinho abaixo.
É noite de Lua Cheia de surpresas.
Este vaso, sanguíneo, transbordante, prende-me
Ao vermelho turvo de um líquido venoso
Num hipnótico desfile de sentidos
Que se perdem numa tontura,
Num remoinho que, sem aviso, nos mistura.
Somos doces partículas em suspensão
No mesmo sangue, no mesmo corpo, no mesmo vaso,
Que ao vazar nos separa em vermelho vivo,
Copo a copo, corpo a corpo.
Somos sangue arterial.
Desfilamos por ruelas e artérias
Da cidade, do corpo, do pensamento, mas...
Já só pensamos no regresso ao coração.